Casarão que desabou no Recife tinha ocupação irregular há mais de 20 anos; cachorra foi resgatada dos escombros
07/04/2026
(Foto: Reprodução) Segundo Defesa Civil, casarão que desabou era ocupado irregularmente
O casarão que desabou na Comunidade do Pilar, no Bairro do Recife, deixando dois mortos e dois feridos, era ocupado de forma irregular há mais de 20 anos e monitorado pela Defesa Civil por causa do risco de colapsar (veja vídeo acima). No local, havia seis moradias, que ruíram na noite da segunda (6). Uma cachorra foi resgatada dos escombros por bombeiros na manhã desta terça (7).
Em entrevista à TV Globo, o secretário executivo da Defesa Civil do Recife, coronel Cássio Sinomar, afirmou que havia um processo administrativo em andamento para retirada dos moradores do local, com oferta de indenizações e auxílio-moradia. Mesmo assim, parte das pessoas resistia a deixar o imóvel, considerado de alto risco de desabamento.
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Em nota, a Defensoria Pública de Pernambuco informou que, desde o ano passado, acompanha o processo de moradores do local para evitar a remoção das famílias em razão de uma ação do município (saiba mais abaixo).
“Isso é um processo administrativo. [A prefeitura] vem conversando, vem tentando sensibilizar as pessoas para fazer a retirada, porque, dentro de um cenário desse, com grande vulnerabilidade, a gente tem aqui as paredes, as ruínas aqui, que tem um grau de risco elevado”, afirmou o secretário executivo da Defesa Civil do Recife.
Algumas famílias já haviam deixado o local, mas, devido ao longo tempo da ocupação e o vínculo criado com a comunidade, parte dos moradores permaneciam na área mesmo diante dos alertas da prefeitura, ainda de acordo com Cássio Sinomar.
“Essas pessoas não têm uma regularização direta do local, mas elas estão aqui há muito tempo e existia um processo para fazer a retirada delas. Algumas pessoas foram indenizadas pelas benfeitorias que foram realizadas, outras entraram no auxílio-moradia”, declarou.
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Após o desabamento, a área foi isolada, e a orientação das autoridades é que moradores não se aproximem devido ao risco de novos desmoronamentos. Parte dos desalojados foi encaminhada para a creche-escola da Comunidade do Pilar, que passou a funcionar como ponto de acolhimento emergencial. Ao todo, cinco adultos e uma criança passaram a noite no local.
O desabamento do casarão causou a morte de Simone Maria de Oliveira, de 56 anos, e Fabiano Lourenço de Araújo, de 45 anos. O acidente também deixou dois feridos, que foram levados para o Hospital da Restauração, no Recife: Ana Carolina da Costa Silva, de 31 anos, e Sidclei de Oliveira, de 29 anos.
O que diz a Defensoria Pública
De acordo com a Defensoria Pública de Pernambuco, em janeiro do ano passado, moradores do casarão procuraram a instituição após ação do município do Recife que pedia, entre outras medidas, a remoção das famílias do imóvel e do entorno.
Segundo o órgão, a atuação passou a ocorrer tanto de forma individual quanto coletiva, em defesa das pessoas em situação de vulnerabilidade. Após decisão judicial favorável ao município, a Defensoria recorreu, e o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) determinou que a prefeitura adotasse medidas para evitar risco de desabamento durante as negociações sobre o futuro da área.
A Defensoria afirma que, apesar da decisão estar em vigor desde abril de 2025, não foi informada sobre o cumprimento das medidas e chegou a cobrar providências em diferentes momentos. O órgão também defendeu alternativas como estudos para demolição parcial do imóvel, preservando moradias vizinhas.
Ainda segundo a instituição, sua atuação sempre buscou garantir os direitos dos moradores, incluindo a exigência de condições seguras e alternativas dignas em caso de remoção. A Defensoria lamentou o desabamento ocorrido na Comunidade do Pilar, no Centro do Recife, e informou que segue acompanhando o caso para assegurar assistência às famílias atingidas.
Cachorra é resgatada
Cachorra aguarda resgate sob escombros de casarão desmoronado
Uma cachorra foi encontrada viva sob os escombros do casarão que desabou. O animal chegou a colocar o focinho para fora em uma fresta e aparentava cansaço. Segundo moradores, "Branquinha" pertencia a Simone e Fabiano, casal que morreu no desabamento (veja vídeo acima).
O Corpo de Bombeiros foi acionado para retornar ao local e fez o resgate da cachorra. "O animal foi retirado com vida e sem lesões aparentes. Ficou sob os cuidados de uma veterinária", informou a corporação militar.
A Defesa Civil do Recife permaneceu na área do acidente para fazer uma vistoria na parte do casarão que permaneceu de pé com o objetivo de avaliar o risco de novos desabamentos no local.
Ruínas do casarão que desabou na Comunidade do Pilar, no Recife
TV Globo/Reprodução
Chuva forte
O desabamento do casarão aconteceu em uma noite de chuva forte na capital pernambucana. A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) emitiu um aviso meteorológico, válido até as 23h da terça-feira (7), com alerta de pancadas de intensidade moderada a forte no Grande Recife e na Zona da Mata de Pernambuco.
Confira, abaixo, os telefones da Defesa Civil em cada município do Grande Recife:
Recife: 0800.081.3400 (ligação gratuita, 24 horas);
Abreu e Lima: (81) 97347-2443;
Araçoiaba: (81) 3543.8983;
Cabo de Santo Agostinho: 0800.281.8531;
Camaragibe: (81) 2129.9564, (81) 99945.3015 e 153;
Igarassu: (81) 99460-9073;
Itamaracá: (81) 3181-2490 e 199;
Ipojuca: (81) 99231.8607 (telefone e WhatsApp);
Itapissuma: (81) 98844-5216;
Jaboatão dos Guararapes: (81) 3461.3443 e (81) 99195.6655;
Moreno: (81) 98299.0974 e (81) 98128.2018;
Olinda: (81) 99266.5307 e 0800.081.0060;
Paulista: (81) 99784-0270 e 3371-7992;
São Lourenço da Mata: (81) 98338.5407. (81) 99266.5307 e 0800.081.0060.
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