Operação Vassalos: veja conexões da família Coelho com esquema de desvios de emendas, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro

  • 26/02/2026
(Foto: Reprodução)
Ex-senador Fernando Bezerra Coelho e filhos são alvos de ação da PF que investiga desvio de emendas A Operação Vassalos, que tem entre os alvos o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e os filhos Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina, e Fernando Filho, deputado federal, ambos do União Brasil, apura um suposto esquema criminoso de desvios de emendas parlamentares (veja vídeo acima). O g1 teve acesso à petição do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou os 42 mandados de busca e apreensão. Entre os locais das apreensões na quarta-feira (25), estão uma empreiteira e numa concessionária ligadas a Fernando Bezerra Coelho e seus filhos e a sede da prefeitura de Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Segundo a Polícia Federal (PF), o núcleo político investigado enviou recursos de emendas e Termos de Execução Descentralizada (TEDs) ao município e à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE A investigação também apontou que parte dos valores direcionados ao município foi usada para custear contratos com a Liga Engenharia Ltda. Essa empresa, de acordo com a PF, é a principal beneficiária dos repasses após ser contratada para prestar serviços de pavimentação em Petrolina a partir de 2017, início da gestão de Miguel Coelho como prefeito. A defesa de Fernando Bezerra Coelho disse que não obteve acesso integral aos autos e afirmou que todos os recursos de emendas parlamentares foram "corretamente destinados". Já Fernando Filho e Miguel Coelho afirmaram que alguns fatos investigados pela operação da PF já foram arquivados pelo STF (veja respostas mais abaixo). O g1 entrou em contato com a Codevasf, mas não recebeu respostas até a última atualização desta reportagem. Esta reportagem reúne informações sobre como o esquema funcionava, os valores movimentados e as pessoas investigadas conforme o núcleo de atuação onde estão inseridas: Como aconteciam os desvios Números levantados nos autos Núcleo político – família Coelho Núcleo Codevasf Núcleo Liga Engenharia Núcleo de apoio e ocultação O que dizem os envolvidos Resposta da prefeitura de Petrolina Ex-senador Fernando Bezerrra Coelho, Miguel Coelho e Fernando Filho Waldemir Barreto/Agência Senado/Reprodução/TV Grande Rio/Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados Como aconteciam os desvios Fluxo do dinheiro: segundo a investigação, emendas parlamentares e TEDs liberados por Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho eram direcionados à prefeitura de Petrolina e à Codevasf e depois transferidos à empresa Liga Engenharia, através de contratos. Após essa etapa, havia o pagamento de vantagens indevidas e ocultação patrimonial por meio de saques em espécie, triangulações e uso de empresas ligadas à família. Concentração em Petrolina: fiscalizações da Controladoria Regional da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU) citadas na petição apontam falhas graves e concentração de obras na cidade, com qualidade questionada e procedimentos licitatórios que favoreceram a Liga. Influência na Codevasf: mensagens e despachos mostram ingerência política para nomear e operar a 3ª Superintendência, em Petrolina, e a direção nacional. A investigação aponta prestação de contas frequente dos gestores a Fernando Bezerra Coelho. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Números levantados nos autos R$ 198,8 milhões em convênios para pavimentação firmados por Petrolina; Destes, R$ 120,1 milhões foram destinados a partir de emendas e TEDs atribuídos a Fernando Bezerra e Fernando Filho; R$ 190,5 milhões em empenhos do município pagos à Liga Engenharia desde 2017; R$ 94,7 milhões em recursos federais mapeados direcionados à Liga (R$ 68,5 milhões confirmados com origem de Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho; R$ 26,2 milhões com alta probabilidade da mesma origem); R$ 55,1 milhões pagos à Liga apenas em 2024, quando virou a maior fornecedora do município; R$ 5,5 milhões em 15 aportes para uma empresa que tem como única sócia a esposa de Fernando Filho. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Núcleo político – família Coelho De acordo com a Polícia Federal, estas foram as funções desempenhadas pelos investigados: Fernando Bezerra Coelho, ex-senador: Apontado como líder do núcleo político; Exerceu influência sobre a Codevasf; Direcionou emendas e TEDs, entre 2019 e 2021, para pavimentação em Petrolina; Fortes indícios de controle da Bari Automóveis; Abriu a Vale Soluções, empresa de consultoria, 13 dias antes do término de seu mandato, com movimentações financeiras suspeitas. Fernando Bezerra Coelho Filho, deputado federal: Destinou emendas a Petrolina em 2023 (R$ 1,9 milhão, sendo R$ 455 mil para pavimentação), complementando o fluxo de verbas da família para as obras executadas pelo município; Articulou com a Codevasf a liberação de recursos e a execução de contratos ligados à pavimentação que beneficiaram a Liga Engenharia; Trocava mensagens com dirigentes da estatal e com seu assessor sobre a liberação de emendas; Recebeu e se reuniu com Pedro Garcez (sócio da Liga), indicado por Miguel Coelho, em Brasília, no período de negociação dos contratos; Participava da gestão da Bari Automóveis, permanecendo em grupos de WhatsApp com os gestores e opinava sobre decisões e recebia dados operacionais; A empresa de sua esposa, Maria Laura, foi sócia oculta em SCP (modelo societário brasileiro "invisível" e sem personalidade jurídica própria, mecanismo que dificulta identificar o beneficiário final) operada por terceiro. Miguel Coelho, ex‑prefeito de Petrolina: Chefiou a prefeitura de 2017 a 2022, período em que o pai e o irmão enviaram recursos para a cidade; Informava informalmente à Codevasf as ruas que deveriam ser pavimentadas, ligando prefeitura e estatal; Na sua gestão, a Liga Engenharia se tornou a principal contratada de pavimentação em Petrolina, com 22 contratos e R$ 190,5 milhões empenhados desde 2017; Teria usado estrutura societária para ocultação patrimonial através da empresa Busca Participações (Miguel de Souza Leão Coelho Ltda.), que aparece como sócia oculta em SCP operada por terceiro; Realizou transações imobiliárias com aparência de simulação (compra e venda no mesmo dia, sem movimentação bancária compatível). ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Núcleo Codevasf Ainda segundo a Polícia Federal, os seguintes investigados desempenharam as seguintes funções: Aurivalter Cordeiro, ex‑superintendente da Codevasf em Petrolina: Indicado por Fernando Bezerra Coelho ao cargo; Atuava como longa manus do núcleo, expressão do contexto jurídico que indica um agente que atua em nome de outro; Encaminhava mensagens a Fernando Bezerra e Fernando Filho “quase que semanalmente” e “com claras feições de prestação de contas”; Favoreceu contratações da Liga Engenharia. Marcelo Andrade Moreira Pinto, ex‑presidente da Codevasf: Colocou-se "à disposição" de Fernando Bezerra ao assumir o cargo, que ocupou até junho de 2025; Era assessor parlamentar do ex-senador antes de assumir o cargo; Assinou diretamente contrato da Liga com a 15ª Superintendência Regional da Codevasf, no Recife. Henrique de Assis Coutinho Bernardes, diretor de Desenvolvimento e Infraestrutura da Codevasf: Indicado por Fernando Bezerra Coelho; Coassinou contrato da Liga Engenharia com a 15ª Superintendência Regional da Codevasf, no Recife; Segue no cargo. Guilherme Almeida, ex‑chefe de gabinete da presidência da Codevasf: Intermediava a direção nacional da Codevasf com Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho sobre descentralizações de recursos. Daniela Barbosa, pregoeira da Codevasf: TCU apontou erro grosseiro e condução do certame para aceitar a proposta mais cara (da Liga Engenharia), com mensagens de alerta e intimidação a concorrentes. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Núcleo Liga Engenharia A Polícia Federal também apontou que as seguintes funções foram desempenhadas pelos investigados listados abaixo: Fabrício Pontes Ribeiro Lima, sócio: Filho do cunhado de Fernando Bezerra (parentesco por afinidade); Fez 250 saques em espécie (R$ 3,7 milhões em cerca de 15 meses) e transferências atípicas, inclusive a servidores no interior da Bahia, com correlação temporal a pagamentos da Prefeitura de Petrolina. Pedro Garcez de Souza, sócio: Irmão da esposa de um primo de Miguel Coelho e de Fernando Filho; Realizou movimentações financeiras em espécie; Encontrou-se em Brasília com Fernando Filho, indicado por Miguel Coelho, em período de articulações de contrato. Núcleo de apoio e ocultação Também conforme a investigação da PF: Simão Durando — atual prefeito de Petrolina (ex‑vice): continuou contratos sob suspeita; recebeu e‑mail com planilha de repasses de Fernando Filho e Fernando Bezerra Coelho; Joel Brito Rocha — secretário parlamentar de Fernando Filho: monitorava liberação das emendas e circulava planilhas de valores; Frederico Melo Machado — ex‑secretário de Infraestrutura de Petrolina: fez interlocução direta com Fernando Bezerra Coelho e autorizou início de obras sem projeto formal; Carlos Alberto Coelho Oliveira Neto — sobrinho de Fernando Bezerra Coelho: tinha conta conjunta com Fernando Filho; fez movimentações em espécie e é suspeito de atuar como “laranja”. Adriana de Souza Leão Coelho — esposa de Fernando Bezerra Coelho: tinha ligação com a Seagre Veículos (sucessora da Bari); Paulo Andrade Silva — contador: responsável por relatórios financeiros a Fernando Bezerra, Miguel Coelho e Fernando Filho, além de fazer movimentações financeiras através de empresas. Valtemir José de Souza e Domingos Sávio Alexandre — procuradores ligados à empresa de Maria Laura, esposa de Fernando Filho: intermediavam estruturas para ocultação de beneficiários. Pedro Campos de Figueiredo — empresário, sócio ostensivo em duas SCPs cujos sócios ocultos são a LFT, empresa da esposa de Fernando Filho, e a Busca Participações, de Miguel Coelho: suspeito de operar a lavagem de dinheiro. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. O que dizem os envolvidos Através de nota, a defesa de Fernando Bezerra Coelho informou que não obteve acesso integral aos autos, mas que, após análise preliminar da decisão de Flávio Dino que autorizou a operação, "esclarece que todos os recursos provenientes foram corretamente destinados". No texto, os advogados do ex-senador afirmam confiar que os órgãos beneficiados pelas emendas "observaram rigorosamente as melhores práticas de governança e execução dos recursos recebidos". Fernando Coelho e Miguel Coelho assinaram uma nota conjunta afirmando que, pela decisão de Flávio Dino, "constatou-se que alguns fatos já foram objeto de apuração pelo STF com o consequente arquivamento". O texto informa, ainda, que a Procuradoria Geral da República se manifestou contra as medidas postuladas pela Polícia Federal. "Impossível não destacar o viés político desse tipo de operação, uma vez que jamais deixamos de prestar quaisquer informações aos órgãos de controle, sejam estaduais ou federais. As contas de Petrolina, aliás, estão devidamente regulares e aprovadas", diz a nota. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Resposta da prefeitura de Petrolina A prefeitura de Petrolina informou, em nota, que: "atendeu com transparência total" os pedidos de apuração de contratos para a realização de obras junto à Codevasf; os recursos mencionados na investigação referem-se a "instrumentos legais previstos na Constituição e na legislação amplamente utilizados por municípios em todo o país para viabilizar investimentos em infraestrutura, saúde e desenvolvimento urbano". todos os repasses dos recursos foram transformados em obras de pavimentação e recapeamento de ruas, com prestação de contas e fiscalização de órgãos de controle do município, do estado e do governo federal. "não há qualquer decisão judicial que reconheça a prática de ilícito por parte da prefeitura ou de seus gestores", afirmou a gestão municipal. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. 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FONTE: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2026/02/26/operacao-vassalos-esquema-de-desvios-de-emendas-fraudes-em-licitacoes-e-lavagem-de-dinheiro.ghtml


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